terça-feira, 2 de junho de 2020



A nivel de Curiosidade
Santa Maria da Serra
Corria o Ano de 1554, a Freguesia de Santa Maria da Serra tinha de Fogos um total de 134 e era composta por 42 Aldeias, Lugares e Casais e entre elas existia a Aldeia do Carvalhal
nesta aldeia existia 12 casas ( fogos ) sendo o sexto local mais habitado da Freguesia, as mais habitadas era a
Aldeia da Barreira Grande e Pequena com 24
Aldeia de Vila Nova com 17
Aldeia da Levegada com 14
Aldeia de Caramouchel com 14
Aldeia da Junceira com 13
Aldeia do Carvalhal com 12
Portanto estávamos ate muito bem posicionados em termos de população , outra singularidade seria as capelas
em 1554 alem da igreja paroquial existiam as seguintes Capelas, Ermidas e Oragos na freguesia
Santo André no Carvalhal
S Domingos nas Lameiras
S Giao ( abaixo da Igreja da Serra )
S Domingos de Vila Nova
S Pedro do Chão do Calvo
S Mateus das Junceiras
Santa Luzia no Lugar da Barreira

domingo, 31 de maio de 2020



" Os assentos reformados dos Baptismos que se haviam feito doze meses antes da guerra e nela foram destruídos pelo inimigo andar se iao neste livro de folha 125 em diante"
Foi esta a informação que se encontra e relata nos registos Paroquiais da Serra





Em 1763 um excerto do Livro que fazem referencia ao Carvalhal e á sua Padroeira da Freguesia


sábado, 30 de maio de 2020



Inauguração e Benção da Cruz do Carvalhal

 A Cruz
Ao cimo do carvalhal, junto ao Outeiro da Cabeça Gorda, encontra se o lugar da Cruz, e na qual
está lá a celebre Cruz, Certo que não a original pois em outros tempos era uma de Madeira,
que não se sabe o que lhe aconteceu, muitos só ouviram falar que em tempos estava lá uma
cruz de madeira, desconhecendo se simples ou trabalhada, outros tantos nem se lembram
dessa tal cruz, A razão porque foi lá feita em várias pesquisas verbais seria porque naquele
local existia uma encruzilhada, até aqui é ponto certo, o que varia na história uns diriam que
era por estar esta encruzilhada perto do cemitério e existirem lá almas penadas, outros porque
nesta encruzilhada as bruxas iriam lá dançar com as suas vassouras mesmo alguns garantido
que viram elas a dançar nos céus, contudo o que se sabe é que está lá uma de cimento
(contruida no ano de desconhecido) ( Não se sabe a pedido de quem foi Contruida), foi feita
por O Zé do Azuil e o Azuil Domingos ( Bacalhau) 1 , na sua inauguração foi feita com alguma
pompa e circunstância tendo existido uma procissão e bênção da cruz por parte do Padre José
Dias e estiveram envolvidos o João Pombeira e o Jacinto Domingos ( Bacalhau) 2 Por esta altura
o Fernando Antunes trabalhava numa fundição e prometeu fazer um cristo para colocar na
cruz sendo fundido por ele, e assim o fez estando lá até aos dias de hoje e esperemos por
muitos e bons anos que o vejamos lá


Padre Jose Dias e Manuel Sacristão




Adro da Serra

O Adro da Serra sofreu inúmeras alterações ao longo dos anos,
Nos tempos mais antigos Sec IX ou X existiria uma Mesquita que esteve lá implantada. Depois da saída dos Mouros esta mesquita terá dado lugar a uma sinagoga e sabendo-se que os judeus costumavam marcar as sepulturas dos seus mortos com grandes pedras com estrelas David, Alfa e Omega, que estariam no ermetério, a qual chamamos de Adro e lá se descobriu alguns artefactos com estas marcas aquando de obras... após a entrada dos templários, cerca de 1385 e aquando a passagem do El Rei D João I , mestre de Aviz e D Nuno Alvares Pereira , o Condestável, este tinha feito um voto a Santa Maria da Serra que se saísse vencedor na batalha de Aljubarrota, então El Rei tendo em Tomar o seu agrado e por lá vivendo na graciosa Vila de 1357 a 1363 mandou construir a igreja na Vila de Tomar, no final do sec XIV princípios de XV, passou de templo cristão a igreja de Santa Maria da Serra e na qual também a Cemitério cristão, onde alguns dos nossos familiares ancestrais estão lá sepultados, outros não muito longe, pois estão dentro da igreja, pois eram lá que se faziam as sepulturas e só em meados do 1800 foram para o cemitério publico, contudo em meados de 1850 foi feito o primeiro cemitério publico no adro entao as casas do Matos e dos Senhores Dionisios e foi murado essa zona, portanto entre a igrja e o muro, era de tal maneira estreito que mal dava para passar as procissões e foi assim que se fez o cemitério publico, mas esteve la muito pouco tempo , só nos finais do SEC XIX é que foi criado o Actual cemitério, no meio de muito barulho do povo que não concordavam de separar os seus entes queridos da igreja
As habitações em redor do adro que foram alteradas outras ja não existem como podemos consultar na foto.
Mas uma foto que foi colocada de uma fonte que foi catalogada como na Serra e não era, mas sim no paço, estas fontes foram construídas todas antes de 1900 pois existe relatos de pedidos das juntas para serem recuperadas as fontes pela câmara e passo a citar algumas
1883 26 setembro reparação da fonte publica da Barreira Grande
1887 Reparo Fonte D Joao
1888 Reparo Fonte do Espinheiro
1888 Orcamento para reparos das fontes de Amoreira , Caramochel, Carvalhal, Espinheiro
1888 13 Agosto Reparo da fonte da Junceira
1890 Reparo da fonte do Carvalhal
1893 Pedido para reparação de fonte na Serra
1894 Pedido para arranjar a fonte da serra junto ao lugar do Pinheiro ( S Pedro ) visto estar cheia de raízes de uma nogueira que existe por cima da fonte, a agua ja esta prejudicada e com mau gosto
1899 6 abril reparação da fonte do outeiro da Barreira
1899 20 abril reparação da fonte da Serra
1899 6 julho reparação da fonte do Carril
Em 1912 no Adro da Serra existia um Poço fonte que foi construído a pedido da comissão Paroquial e com participação da câmara . O sistema de funcionamento deste poço era por manipulação de uma enorme roda que era bombeada a agua.
Em 1953 a junta de freguesia, por vereação de Manuel Vicente Hilário foi feito o primeiro empedramento do adro, construção do coreto, e por baixo deste o chafariz do dito poço fonte
A Agua vinha canalizada de um outro poço, aberto então, promovido de um aero motor, na qual a agua era elevada para um deposito de cimento que existia no alto da encosta, na propriedade onde hoje está o lar .
mais tarde Manuel de Matos tomou a iniciativa de mandar construir um novo deposito e abrir furos com duas intençoes para que a agua não fosse tão férrea e outra ajudando os velhinhos pobres da nossa freguesia, ou seja contrariando as leis da época, tal como as de hoje não permitiam que as juntas de freguesia cobrassem agua e que essa receita fosse doada a quem o doador assim quisesse, ao que se parece os velhinhos nunca receberam nada.
A agua era distribuída por contadores e fontanário S Gião, Quinta do Filipe, Portela e Caramochel, contudo na Abadia que era e é a extensão da Serra não tinha ligação
O deposito antigo foi demolido derivado ao seu estado de degradação e o coreto reparado á alguns anos atrás
Fica aqui um pouco da historia do adro e da Agua e da Serra , em breve colocaremos mais dados

Romaria a Dornes, pela Freguesia da Serra

Desde o Século XIX que se faz esta romaria e já estamos no Século XXI e permanecemos com esta tradição.
A Igreja paroquial Nossa Senhora de Dornes, remonta ao Século XII, sendo que foi reconstruida no Século XV. Lá estão guardados vários Círios ( Velas), onde predomina na suas inscrições a cruz e a coroa, quer de várias freguesias do nosso concelho, como de concelhos vizinhos, que vai de Tomar até Condeixa , estas romagens começam na segunda feira de Páscoa e só terminam no terceiro Domingo de Setembro.
A deslocação a Dornes para a romaria da Senhora do Pranto cabe á freguesia da Serra ir, no Domingo anterior ás festas do Espirito Santo, com o seu Pendão e bandeiras ( também este chamado de Cirio), com a Irmandade, e o povo devoto, lá rumam com carros decorados em cortejo até ao templo onde será celebrada a missa e como nos primórdios agradecer à Senhora do Pranto as graças concedidas aos seus antepassados e fazer novas preces, a nossa magnifica Vela remonta a 1825, e com um desenho monumental...
Anteriormente esta romaria era feita a pé , ou puxada por animais muares, sendo que o pendão ( Círio ) iria a Cavalo, na igreja encontrava-se uma pedra com uma concavidade para se colocar a grossa vela.
"Deixamos aqui uma passagem de 1952
A romaria tinha saido da Serra ás 10 horas e chegou a Dornes por volta das 11:30, com algumas dezenas de automoveis e camionetas devidamente enfeitadas, que transportavam tantas pessoas, que encheram por completo o Templo de Dornes, onde assistiram à missa e cumpriram as promessas.
Depois no regresso para o almoço , este foi realizado no local do costume, onde todos os romeiros fizeram o piquenique, onde conviveram tal como os nossos antepassados, e que é realizada desde 1825 sem nenhuma interrupção, dizem os mais antigos que na mudança dos tempos, o seu percurso foi alterado, antigamente as pessoas deslocavam se em carroças ou charretes, a cavalo em mulas, burros ou cavalos, depois passou se a ir de carro camioneta e motorizadas. Em outros tempos a saida da Serra era ás 8 horas da manhã, almoçava-se a meio do caminho por volta das 10 horas e seguiam para Dornes que chegavam perto do meio dia onde se assistia as cerimonias religiosas, no regresso fazia-se uma nova refeição, chamado jantar do caminho por volta das 2 horas, onde se convivia durante umas boas e felizes 2 horas, e depois continuava-se o caminho, que parava no Marco, no limite da freguesia da Junceira Olalhas e Serra, eram deitados varios foguetes a anunciar que a Romaria iria entrar novamente na Serra, onde muitos se deslocavam para assistir ao retornar da procissão que terminava com atos religiosos"
Como se referiu as Romagens a Dornes são feitas em datas fixas, salienta-se
Alviobeira e Sabacheira, que fazem este caminho na 2ª Feira do Espirito Santo com o seu Cirio datado de 1863
Olalhas comparece ao Templo na Terça Feira de Espirito Santo e o seu Cirio tem a data de 1826
Casais e Junceira estão presentes a 15 de Agosto sendo que o Cirio de Casais é de 1843 e da Junceira (***)
S Pedro esteve durante muitos anos a comparecer mas deixou cair esta tradição .
Como vimos estas romagens vão além concelho de Tomar este modo fica aqui algumas datas de Cirios que são cuidadosamente guardados numa dependência da Igreja , para este efeito
Chãos de 1825; Beco 1949; Ferreira do Zezere 1827; Areias 1926; Arega 1845; Formigais 1893; Maças de D. Maria 1825; Lamas 1839; Mirado 1825; S Tiago 1881; Zambujal 1889; Vila Seca 1876; Poudentes 1859; Aguda 1874
Segundo reza a historia ao Povo da Sabacheira desloca-se a pedir protecção á Senhora derivado a uma praga nas oliveiras; e o povo de Cernache do Bom Jardim, pela praga de formigas
A Freguesia da Serra comemorou hoje 195 anos que se desloca a Dornes, sem interrupções, neste período passamos por guerras mundiais, pandemias, mas sempre o povo se fez ao caminho, e desta vez de modo muito reduzido, mas o bastante para continuar esta tradição, para o ano esperemos que o povo possa acompanhar esta romaria .

sexta-feira, 6 de março de 2020


Bombeiros de Tomar
Os homens e a sua Historia

José Gonçalves Venâncio deixou escrita a história e dinâmica dos bombeiros

Intróito

Os bombeiros tiveram as suas origens no antigo povo Judaico e Grego e, pouco a pouco, por serem uma necessidade fundamental para a defesa das vidas e valores de todas as outras instituições, espalharam-se por todo o Mundo.
Até nós, chegaram bastante atrasados pois só se fala neles a partir do fim do seculo XIV e talvez por isso, social e economicamente, eles continuam ainda bastante obsoletos e marginalizados em relação a outras instituições ou fundações similares.
Está ainda para vir, Rei, Ministro ou Presidente, que mande legislar em seu favor, pelo menos, de igual modo e relativamente, que lhes atribua uma fatia orçamental, para o seu apetrechamento, de acordo com as suas necessidades e tarefas e, dota-los de um quadro técnico especializado, que lhes possibilite realizar com eficácia todas as operações implícitas na nobre profissão de bombeiro.
Cremos que é na Europa o único, que para o ser tem de esmolar, facto que os deprime e contraria todas as regras e a nossa própria constituição. Enquanto todas as instituições oficiais são dotadas de meios e recursos para existirem e cumprirem as suas missões, eles, permanecem sob as mais variadas de pendencias: são forçados por necessidade gritante a aceitarem velhas viaturas para transformarem e adaptarem para o seu uso: Obrigam-se a mendigar mão-de-obra e matéria-prima para essas operações: por sistema tem de implorar subsídios a diversas entidades e, recorrer aos crónicos peditórios e sorteios.
E o nosso povo, porque é generoso e bom, nada regateia para os seus bombeiros e por empirismo, continuamos todos conformados e a dizer “ por cá estamos todos bem, muito obrigado”. Mas façam um estudo e comparação aos seus congéneres estrangeiros que ficaremos de olhos arregalados de espanto pela diferença que há entre ambas as partes, porque lá fora, pagos pelo estado, fazem parte dos seus quadros médicos e enfermeiros, engenheiros e professores, todos eles especializados, o que lhes é dado para seu uso, é do melhor e do mais moderno que existe nos mercados, lá não se recupera sucata para se dar aos bombeiros, nem é necessário estenderem alegremente a mão.
Ser voluntário não significa ser pobre, trata-se de uma virtude nobre, que tem sido muito aproveitada e explorada.

O Seu Aparecimento e Crescimento até ao Seculo XVII
Foram os Hebreus e os Gregos que criaram os primeiros vigias nocturnos encarregados de efectuarem rondas, dar alarme em caso de fogo e combate-lo. Na antiga Roma este uso foi conservado e desenvolvido havendo os “Triumviri Nocturn”, que asseguravam a polícia durante a noite e davam alerta em caso de incêndio.
Em Portugal, a primeira carta régia sobre os conhecidos soldados da paz, foi expedida por D João I e tem a data de 25.8.1385, mas só passados dois seculos, no reinado de D João IV se começou a fazer algo de útil a favor destas Instituições. Pelo referido Rei foi estabelecido, que os pregoeiros da Cidade de Lisboa, saíssem de noite pelas ruas, a avisar em voz alta os moradores, para tomarem cuidado com o lume em suas casas, determinou também, que quando houvesse incêndios, os carpinteiros e calafates, eram obrigados a comparecer com os seus machados, assim como as mulheres com os seus cantaros  para acarretar agua para o dito fogo atribuindo-se aos correctores o serviço de policia.
D João IV introduziu em Lisboa o sistema usado em Paris, escadas e bicheiros, com a capacidade de 200 calões de almude cada um e, mandou recrutar pessoal remunerado para esse serviço. Mas só em 1678 se instalaram as três primeiras estações ou armários para arrecadação de tais aparelhos e ferramentas e se determinou, que ali existissem tantos machados, quantos fossem os carpinteiros residentes em Lisboa. Porque todos eles tinham a obrigatoriedade de acudir aos sinistros.
Três anos depois vieram da Holanda duas bombas e grande quantidade de baldes de couro, sendo distribuídos 50 baldes por cada bairro, ficando muitos em reserva bem como varias ferramentas.
Procedeu-se então ao alistamento geral de todos os pedreiros e carpinteiros e, a todo aquele que faltasse a um incêndio era aplicada a multa de 2 meses de prisão.

Sua Oficialização em Portugal
Em 1701, foi o mestre correeiro João Domingos encarregado da guarda das três bombas que então havia, recebendo por isso uma gratificação anual de 10§00 reis, este cargo passou para Domingos da Costa a 17/01/1766 com a remuneração de 80$000 reis e em 1794 para Mateus A. Da Costa que recebeu a categoria de inspector e passou a ter o vencimento de 250$000 reis. Foi elaborado um regulamento, que estabelecia um efectivo de 3000 homens com categorias de patrões de bombas, aguadeiros e componentes das companhias braçais.
No ano de 1801 foi criado o lugar de Sub-Inspector e nele provido Francisco Sales da Silva sucedendo-lhe em 1812 António Joaquim dos Santos, que foi promovido a inspector em 1816 que determinou a aferição dos barris dos aguadeiros, que deviam ter a capacidade de 25 litros, nessa altura, a frota passou a ser composta por 11 bombas e 4 carros escadas, com 119 companhias de aguadeiros com um total de 3254 homens, que foram reorganizadas em  1822 e distribuídas pelos 25 chafarizes existentes em Lisboa.
Mas só em 1834 a Camara Municipal de Lisboa organizou um regulamento com 24 artigos , criando uma companhia de bombeiros a qual foi designada pelo vulgo por, “ companhia de Caldo e Nabo”, nunca se sabendo porque. Foi então a 25.5.1835 que se alistou nela o primeiro homem para bombeiro, de seu nome António José da Silva, a quem foi dada a categoria de 1º Patrão e o numero 1 que prestou ali serviço 53 anos reformando-se a 14/4/1888 vindo a falecer a 24/4/1889


Primeiras Reformas Notaveis
A 17/3/1836 publicou-se o primeiro mapa, que dividia a cidade de Lisboa em 4 distritos para efeitos de incêndios e determinava o número de badaladas para os anunciar, em 1848 foi publicado um novo regulamento e em 1850, o médico Francisco Inácio dos Santos Cruz, escreveu um tratado sobre a técnica de atacar incêndios e em 1868 o Inspector Professor Carlos José Barreiros, leva profundas reformas ao serviço de incêndios, quer em pessoal, quer em material, aparecem as primeiras bombas a vapor, bocas-de-incêndio e constrói-se a escada “Fernandes” que foi precursora da “Magirus”
Foi no ano de 1889 que se criou a classe de Sotas-Bombeiros permanentes e se formaram os Voluntários da Ajuda, cujos se estrearam no fogo declarado nos armazéns do Chiado a 14/12/1889. Mas só em 1930 as Corporações Municipais foram militarizadas e transformada em batalhão de Sapadores Bombeiros e se acabou com a tração braçal das bombas, passando-se a dispor de material monitorizado.

Os Bombeiros do Norte
No Porto, desde o Seculo XV, que funcionávamos serviços de incêndio, mas a corporação de bombeiros só foi criada em 5/2/1722 com a designação de companhia de fogo, tinha 63 homens incluindo o chefe, o qual tinha a categoria de cabo. O seu material era composto por uma bomba, 40 baldes, 1 tina, 8 machados, 1 lampião, 2 cordas e canos de sola, esta primeira Companhia de combeiros, gozava da regalia de os seus componentes estarem isentos do serviço militar.
Estiveram em vários congressos, chefiados pelo seu notável Comandante, Guilherme Gomes Fernandes, nomeadamente em Londres em 1893, Lyon em 1894 e em Paris em 1900. E foi na capital de França e nesse Congresso que em competição com corporações de 20 países se sagraram os melhores do Mundo. O objecto do curso prova, era a extinção de um incêndio num prédio de 20 metros de altura e com 3 salvamentos, por sorteio coube aos Portugueses actuarem em terceiro lugar:
A corporação Americana actuou em primeiro lugar e fez a sua prova em 15 minutos. Seguiu-se  a Húngara que gastou em igual prova 16 minutos.
“Os Portugueses, levaram apenas 2 minutos e 55 segundos a realiza-la, êxito, que levou as restantes equipas concorrentes a desistirem de actuarem.”

Fundação dos Bombeiros Municipais
Foi em 1885, que se criou a Corporação de Bombeiros Municipais, que ficou a chamar-se Corpo de Salvação Publica, tendo sido nomeado seu Comandante e Inspector dos Incêndios Guilherme Gomes Fernandes.
Os Bombeiros Municipais tiveram várias ajudas- Prémios, para espevitar o seu comportamento e dinamica, assim, por cada saída fosse qual fosse a distancia que a máquina tivesse de percorrer dentro da Cidade, venciam no seculo XIX 100 réis cada uma das praças que a tivessem puxado e os três primeiros bombeiros com a classe primeiros patrões que se apresentassem num incêndio alcançavam por ordem1$500 reis, 1$000 reis e 500 reis, e os primeiros da classe de segundos patrões, 800, 600 e 400 reis cada, os aspirantes com 4 anos de serviço tinham 600,500 e 400 reis de premio cada. Á primeira máquina que se apresentasse num fogo cabia o prémio de 3$000 reis, que seriam repartidos em partes iguais por todas as praças  que se fizeram acorrida e, se alguma máquina servisse para operar salvamentos de vidas, a guarnição dessa máquina seria também premiada.

O Que É Um Bombeiro
É a pessoa, que tem por missão extinguir incêndios (com bomba segundo a raiz do termo), e que, por extensão, acorre a todos os acidentes que ponha em risco vidas e haveres. Tão arriscada tarefa é executada sem qualquer remuneração e, que na maioria dos casos nas suas horas de descanso.
Como conseguem sobreviver a maioria  das Corporações de Bombeiros?
Dificilmente! Quer sejam Municipais, ou voluntários, todos eles carecem aimda de meios técnicos e humanos, para prontamente e com eficiência realizarem cabalmente todas as tarefas que lhes estão consignadas. È o Estado e as Camaras Municipais, que garantem sua existência, através de verbas e subsídios para a sua manutenção e renovação das suas frotas, todavia, deve-se grande parte da sua operacionalidade ás ajudas dos beneméritos e á filantropia dos homens que fazem parte dos seus quadros e por rotina ás oferendas que a grande massa anonima, sob a forma de cortejo dá aos seus Bombeiros.
E embora todas estas ajudas sejam muitas, não são demais, mas se não fossem elas, alguns Bombeiros, em muitos casos, ficariam pelos caminhos ou nem sequer sairiam dos Quarteis, por rebentarem os seus velhos carros ou não disporem de meios para acudirem a tantos e tão diversos casos de vida ou de morte, cumprindo o que traduz o seu símbolo, “ Vida por Vida”, porque para atingirem tão sublime objectivo, não basta terem a vontade e índole daqueles que se sentem realizados, realizando o que é quase impossível e inacreditável.

As Suas Tarefas Principais
O seu maior inimigo, é o Verão.
Com ele, os desastres nas estradas, crescem assustadoramente e os pinhais e matos de Portugal começam a arder, resultado do período maciço de ferias, da elevada temperatura e doutras consequências resultantes de tão quente estação do ano: são os loucos do volante, das duas e quatro rodas, abusam das más estradas e do bom vinho que temos, e a acção dos criminosos na técnica do “fogo Posto”, são as aventuras dos piromaníacos, é o descuido e a imprudência das crianças e adultos e, tantas outras ratoeiras, que apos desarmadas provocam o grito suplicante e aflitivo “Chamem os Bombeiros”
E eles, mal são chamados, partem á desfilada a qualquer hora e sem resmungarem, levando consigo um risco constante, mas acima dele, levam a vontade e a esperança de salvarem vidas e valores que estão em perigo e sabem, que tudo depende de tempo, brio, coragem, abnegação e espirito de sacrifício, por isso, voam porque são portadores de todos esses atributos.
A disciplina é deles apanágios.
Não fazem greve nem reivindicações, nem regateiam qualquer corrida por longe ou dura que seja. Servem sempre com alegria entusiasmo, quer estejam saturados ou frescos e, em risco permanente, espontaneamente no pinhal, na estrada, na aldeia, na inundação, na derrocada, no mar e em todas as circunstancias e locais, onde houver vidas ou valores em perigo, eles lá estão lestos e operacionais.
As populações contam com os seus Bombeiros para as horas mais difíceis, mas nem todos estão esclarecidos sobre o seu funcionamento, nem sobre as suas dificuldades e a contrapartida pelo seu esforço, sendo esta uma das razoes, porque vamos falar dos nossos bombeiros
Primeiros Bombeiros de Tomar
Foram 18 os seus fundadores:
N.° 1 - Silvério Ferreira Cotralha
N.°2 - Mário Pereira Prista
N.° 3 - Amílcar da Graça
N.° 4 -Jorge Godinho da Silva
N. 5 - António Vieira
N.° 6 - Libânio da Graça
N. 7 - Henrique D. Faustino
N.° 8 - António F. Gândara
N. 9 - Simão Nunes Sobrinho
N.°10 - Luiz Augusto Rosa
N.°11 - José Mina Júnior
N.°12 - Pedro Gregório da Silva
N.°13 - Gabriel da C. Santos
N.°14 - Armando Nunes
N.°15 - João da Silva
N.°16 - Bernardino D. Faustino
N.°17 - Filipe M. Cardoso
N.°18 - José Lourenço

Ainda estão vivos (á data de 1980) Mário Ferreira Prista, Amílcar da Graça, Luiz Augusto Rosa e Gabriel da Conceição Santos.
Cujas idades rodam os 80 anos. O seu primeiro Comandante foi o então Vereador Sr. José G. Ribeiro (fundador) que tinha o título de Vereador- Inspector e, na fonte onde foi colhida a informação, foi-nos afirmado por um pioneiro, o Sr. Gabriel, assim é que na Camara um homem e Chefe, que se bateria pelos Bombeiros com conhecimento e amor. O nosso interlocutor desfiou saudosas recordações: Do Porto vieram para os instruir o Amadeu V. da Silva e o Cabral Borges, sendo o primeiro digno e competente, depois tiveram um grande instrutor que foi o Marcelino José de Alcântara, que tinha sido chefe dos Municipais de Lisboa, foi um grande e audacioso chefe este instrutor que tivemos… um dia ensaiou uma escalada precipitada a executar na fábrica de Moagem Mendes Godinho, que se realizou e culminou num estrondoso êxito e recorda: os escaladores com escadas de ganchos foram o Gabriel, o José Júlio e o Orlando de Melo. Houve também um simulacro de incêndio num 3º andar do Sr. Manuel Puga, na rua Everard onde, debaixo do maior segredo se preparou um exercício simulado, que deixou os que acorreram a presencia-lo espantados com a eficiência demonstrada.
Foi a 28 de Janeiro de 1922 (data considerada para a sua fundação) que o então vereador Sr João Gonçalves Ribeiro e, estando a Camara sob a presidência do Sr. João Torres Pinheiro, propôs numa Assembleia a criação do Corpo de Salvação Publica de Tomar e em Setembro do mesmo ano, foi contratado o chefe de secção do Porto, Sr. Amadeu Vieira da Silva para instruir os primeiros Bombeiros de Tomar. E após a conclusão desta primeira fase, declarou-se um enorme incêndio nos prédios do gaveto da rua de S João à rua Direita da Várzea Grande, onde os primeiros Bombeiros de Tomar fizeram o seu baptismo de fogo, tendo-se comportado com muita coragem e disciplina.
O seu primeiro Quartel foi improvisado nas traseiras dos Paços do Concelho, e o seu principal material era constituído por uma bomba de caldeira manual de 1921, tipo Guilherme Fernandes, duas bombas tipo Fiant de 1865 e dois carros para transporte de material com escadas. Todas estas viaturas eram puxadas pelos próprios bombeiros de 1922, que acorriam ao Quartel pelo toque a rebate do sino da Igreja de S João.
Só em 1929 a Camara Municipal renovou o material de ataque a incêndios, com a compra de duas moto bombas Magirus( Uma de tipo Danumbia e outra do tipo Lilipute), uma maca rodada e ainda outro material, incluindo duas escadas italianas. E em 1932 voltaram a ter outro improvisado Quartel que se situou no nº 1 da rua Sacadura Cabral, à Várzea Pequena, domicilio onde permaneceram até 1934, data em que foram transferidos para a rua da Graça- Av. Cândido Madureira.
E em 1934 foi a Cidade de Tomar escolhida para nela se realizar o IV congresso dos Bombeiros Portugueses, que se realizou a 27 de julho e nessa altura, a câmara deu novo impulso, à vida dos seus briosos Bombeiros, adquirindo para eles o seu Primeiro Auto Pronto-socorro. E só dez anos depois depois, merce de verba Camarária e o produto de uma subscrição pública, é adquirida uma viatura e transformada em Ambulância, e a técnica, cada vez mais avançada e indispensável, leva a Câmara a comprar em 1956 um Jeep, em 1957 um pronto-socorro e no período de 1960 a 1971, outro pronto-socorro, um carro de nevoeiro uma Ambulância e pela fundação Gulbenkian foi-lhes oferecida também uma ambulância, pelo concelho do Serviço Nacional de Incêndios é lhes dado um “ Land Rover”.
Passaram pelos Bombeiros de Tomar durante estes 58 anos, homens, que a eles se dedicaram de tal modo, que continuam a ser recordados com muita saudade. É justo que recordemos alguns, embora saibamos que os seus nomes ficarão para a posterioridade, tal foi o seu amor e dedicação pela corporação, que abnegadamente serviram e viveram, entre outros citamos o Sr. Pedro Gregório da Silva, o Sr. tenente Caetano, homem forte na defesa dos seus Bombeiros, Tenente António Vaz, Dr. Amílcar Casquilho, Tomaz Marques Cotrim, Tenente Júlio de Araújo Ferreira, Tenente Valentim da Silva Santos, Tenente Manuel Maria Careto e Tenente Joaquim Marques da Silva Gervásio o grande Bombeiro e Comandante Jorge Godinho da Silva, recentemente falecido e, o seu ultimo Comandante Sr. João Tomaz da Silva (em 1980 era o actual Comandante Honorário).
Presentemente, o Comando está entregue ao seu 2º Comandante Sr Mário Nunes da Silva, Homem que tem dado boas provas de competência e se tem dedicado inteiramente á causa que serve há muitos anos, a sua nomeação interina foi recebida com agrado e verificamos que é muito respeitado e estimado pelos seus homens.

Previdência Própria
Os primeiros Bombeiros de Tomar, após a sua fundação, tiveram a preocupação e cuidado de criarem para a sua corporação uma Caixa de Pensões e Socorros, que merce de generosas e espontâneas dádivas se tem mantido e melhorado. Trata-se de uma Associação, que nas horas mais amargas serve para os ajudar e ás suas famílias a custear as despesas com assistência médica, medicamentos, operações cirúrgicas, funerais, etc.

Conforme estabelecem os seus estatutos, os seus Corpos Gerentes são eleitos dentro dos seus quadros activo e auxiliar e o seu Presidente, será o que for mais votado entre o grupo formado pelo Comandante, 2º Comandante e Ajudante de Comando.
Os fundos desta instituição, tem conseguido dar resposta ás maiores necessidades dos seus Bombeiros, são provenientes de uma verba anual igual a 20% do total recebido pela Câmara, pelos serviços prestados por eles com Ambulâncias, pelo saldo positivo apurado em espectáculos que organizam, peditórios que periodicamente fazem, metade das remunerações relativas a piquetes feitos no seu quartel e nos espectáculos públicos, e por quaisquer donativos oficiais ou particulares a ela destinados.
Os Bombeiros de Tomar, porque são Municipais, não podem ter associados estranhos aos seus quadros razão porque, os seus amigos ao sentirem-se seus devedores e admiradores, por serviços prestados ou pelos seus feitios podem ajuda-los, destinando a sua oferta á sua Caixa de Socorros e pensões.

Equipa Actual em 1980
Presentemente o quadro do seu pessoal é constituído por 82 elementos, distribuídos pelo sector Activo e Auxiliar, tem também o quadro Honorário, que integra os Bombeiros idosos ou com saúde abalada, que permaneceram ao serviço bastantes anos e tiveram sempre bom comportamento.
As suas categorias para efeitos de funções e gestão, são como segue:
Comandante (vago)
2º Comandante (comandante interino)
Ajudante de Comando
3 Sub Chefes
11 Bombeiros de 1ª Classe
13 Bombeiros de 2ª Classe
43 Bombeiros de 3ª Classe
4 Auxiliares
5 Cadetes
É portanto com este pequeno mas nobre exercito, que o nosso Concelho e arredores, conta nas horas mais dramáticas, que sejam facto de mãos criminosas, imprevidência, fatalidade, etc. E nós, movidos pela simpatia e gratidão pelo Bombeiro, e em especial pelos da nossa terra, fizemos buscas e pesquisamos elementos para escrevermos este pequeno trabalho, modesto preito é certo, mas sincero, e para conseguir, encontramo-nos com elementos do Comando a quem manifestamos a nossa intenção e , porque foram cordial e franca receptividade, marcamos encontro no quartel e dele saímos habilitados a escrever algo, como vivem e de que vivem os homens-bombeiros dentro das muralhas.
Verificamos que o ambiente é de salutar e no mesmo, paira um calor humano, fruto da disciplina existente e cooperação daquele punhado de homens que se dedicam diariamente a viver graves problemas do seu semelhante e em risco permanente, aquela casa não é um reduto como se pode supor, mas sim uma porta aberta. Sempre franqueada para todos, que nela se queiram integrar um pouco, e vale a pena faze-lo. Não é ser demasiado ambicioso, vir alertar as pessoas para a característica deste precioso e operacional bem publico e, chamar a atenção dos responsáveis, pela sua manutenção, e para as dificuldades materiais e necessidades humanas destes despertos e activos soldados, que apesar de não terem pré nem soldo, lutam sempre com entusiasmo e jamais traíram ou se desviaram do seu caminho, que é o combate “Vida Por Vida”.
Entendemos, que será de lamentar o facto dos bombeiros para poder dar uma resposta eficaz, nas várias missões que lhes são cometidas, tenham de recorrer por sistema ao habitual peditório. E julgamos, que vai sendo tempo dos Governos cuidarem inteiramente da sua manutenção, dotando-os de material de incêndios e de socorro de técnica avançada e de lhes assegurarem melhor o presente e o futuro. Eles vão vivendo agarrados á sua causa, mas cremos, que não exista nas populações tanto carinho por eles e tanta adesão as suas iniciativas angariadoras, não conseguirem estar tão operacionais, nem terem o desempenho nas suas arriscadas e duras missões.


A Recompensa Pela Sua Luta
Tarda, que o Estado no seu Orçamento Geral inclua verbas suficientes para apetrechar e manter os bombeiros, Tal como já aconteceu com outras forças militares e militarizadas, visto que, o Pais não pode prescindir deste importante exercito da paz que trata continuamente uma grande guerra e em várias frentes, é no mato, no campo, na cidade e em todos os lugares, de dia ou de noite, eles, palmo a palmo, milímetro a milímetro , conquistam á morte, vidas e valores seriamente ameaçados.
Os nossos Bombeiros exercem as mais diversas profissões na cidade e arredores e, apenas onze são funcionários da Câmara Municipal. Se o patronato lhes descontar as horas que perdem em incêndios, pelo Comando, será feito um abono de 300$00 hora. Porem, quase todos os responsáveis patronais não só dispensam de bom modo os seus trabalhadores bombeiros, como também se eximem de fazer-lhes qualquer desconto pelo tempo despendido com a tarefa de apagar incêndios, mas as milhares de horas despendidas com outros serviços, nas suas horas de descanso, não são compensadas nem remuneradas.
Recebem do Serviço de Saúde quando se deslocam para alem de Santarém, um subsidio de alimentação no valor de 150$00. E a partir de Coimbra de 250$00, importância que ficam cativas de 50$00 cada abono, que reverte para a sua caixa de previdência. A prestação de qualquer serviço urgente é sempre gratuito, mas se chamados para a condução de um doente sem ser de emergência, serão pagos mediante recibo pelos interessados ou pela caixa de previdência. A Câmara Municipal, anualmente destina-lhes uma gratificação, que em media ronda 800$00 por Bombeiro.
Relativamente á disciplina, foi nos afirmado, que dispõem de uma equipa digna de realce e, pelo que observamos, nas relações humanas e hierárquicas eles são efectivamente exemplares e formam um conjunto bastante homogéneo. O Quartel dispõe de um serviço de alerta permanente, cujo é assegurado no períodos das 7 ás 21 horas pelo Quarteleiro e um piquete de prevenção, constituído por 3 elementos ( 6 nos meses de Julho a Setembro) no período das 21 ás 7. E estes homens por esta incomodidade e sacrifício recebem um miserável subsidio de 25$00 por noite, dos quais, metade reverte para a sua caixa de previdência, mas por sistema e acordo, a sua totalidade é entregue para a referida caixa.


EM BREVE ACTUALIZAREMOS COM MAIS PARTES DA SUA HISTORIA E IMAGENS